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Bosch Service Solutions Brasil

Aplicação de modelos matemáticos em otimização de emissões automotivas visando redução de poluentes e NVH

Otimização de emissões automotivas

As exigências regulatórias para emissões veiculares estão cada vez mais rigorosas. Com isso, fabricantes precisam entregar motores mais eficientes, silenciosos e capazes de atender às exigências governamentais expectativas do mercado sem comprometer desempenho ou dirigibilidade.

Nesse cenário, um dos maiores desafios da engenharia automotiva está na fase inicial de funcionamento do motor.

É justamente nesse momento que ocorre uma parcela de mais de 80% das emissões de poluentes, exigindo estratégias cada vez mais sofisticadas para acelerar a eficiência do sistema de pós-tratamento.

A boa notícia é que avanços em modelagem matemática, análise de dados e técnicas de otimização estão permitindo uma nova abordagem para o problema.

Neste artigo, você entenderá como a aplicação de modelos matemáticos em otimização de emissões automotivas pode reduzir poluentes e vibrações do motor simultaneamente, além de conhecer a solução desenvolvida pela Bosch para enfrentar esse desafio.

Por que a fase fria do motor representa um desafio para o controle de emissões?

Grande parte das emissões presentes no escapamento ocorre logo após a partida. Isso acontece porque o catalisador de três vias ainda não atingiu sua temperatura ideal de operação

Esse componente é responsável por promover reações químicas que transformam gases nocivos provenientes da combustão em substâncias menos prejudiciais ao meio ambiente. Porém, sua eficiência depende diretamente da temperatura de funcionamento.

Catalisador de três vias utilizado para reduzir emissões de poluentes em motores de combustão.
O catalisador de três vias converte gases poluentes em compostos menos nocivos ao meio ambiente e ao ser humano.

Até alcançar o chamado light-off, que marca o início da conversão eficiente dos poluentes, o sistema apresenta capacidade reduzida de tratamento dos gases de escape.

Como resultado, uma parcela significativa das emissões totais do veículo se concentra nos primeiros minutos de operação.

Como ocorre o aquecimento do catalisador nos motores atuais?

Gráfico de emissões no escapamento durante a fase fria do motor.
A maior parcela das emissões ocorre antes que o catalisador alcance sua temperatura ideal de operação.

Fonte: Effect of Operation Strategy on First Cycle CO, HC, and PM/PN Emissions in a GDI Engine,SAE Technical Paper 2015-01-0887, 2015, https://doi.org/10.4271/2015-01-0887

Para reduzir o tempo necessário até o início da conversão eficiente dos gases, os sistemas de gerenciamento eletrônico utilizam estratégias específicas de aquecimento do catalisador.

Entre as mais comuns estão:

  • Atraso do ponto de ignição (rejeição térmica).
  • Elevação da rotação de marcha lenta após a partida (aumento do fluxo mássico).

Embora essas estratégias sejam eficazes para acelerar o aquecimento, elas também podem gerar efeitos indesejáveis, como o aumento das emissões e da vibração do motor.

Relação entre parâmetros do motor, emissões, NVH e aquecimento do catalisador.
A calibração do motor exige equilibrar simultaneamente emissões, vibrações e eficiência térmica.

O aumento das emissões brutas, a piora da qualidade da combustão que promove uma maior variabilidade cíclica são alguns dos principais desafios observados.

Além disso, essas condições podem provocar aumento dos níveis de NVH automotivo (Noise, Vibration and Harshness), impactando diretamente a percepção de qualidade do veículo.

Em motores de menor cilindrada operando com etanol, cenário bastante comum no mercado brasileiro, esse efeito se torna ainda mais relevante e perceptível.

O limite dos métodos tradicionais de calibração

Os motores atuais possuem um número maior de subsistemas, que são graus de liberdade para a calibração.

Essa evolução amplia as possibilidades de otimização, mas também torna o processo de calibração de motor mais complexo.

Em muitos casos, explorar todas as combinações possíveis exigiria uma quantidade extremamente elevada de testes experimentais, aumentando custos e tempo de desenvolvimento.

Comparação da quantidade de Graus de Liberdade (Parâmetros) do motor e número de testes necessários.
O crescimento do número de parâmetros torna inviável explorar todas as combinações por métodos convencionais.

Quanto maior for o espaço de calibração, mais difícil se torna identificar rapidamente quais estratégias oferecem o melhor equilíbrio entre:

Objetivo Impacto esperado
Objetivo
Redução de emissões
Impacto esperado
Atendimento às regulamentações ambientais
Objetivo
Menor NVH
Impacto esperado
Melhor experiência para o motorista
Objetivo
Aquecimento rápido do catalisador
Impacto esperado
Maior eficiência do pós-tratamento
Objetivo
Eficiência de desenvolvimento
Impacto esperado
Redução de tempo e custos de engenharia

Foi justamente para superar essa limitação que surgiram abordagens baseadas em modelos matemáticos avançados.

Como os modelos matemáticos aceleram a otimização de emissões automotivas?

A aplicação de um modelo matemático automotivo permite explorar um grande número de combinações de parâmetros sem depender exclusivamente de testes físicos.

Em vez de avaliar cada cenário individualmente, os dados coletados são utilizados para construir modelos capazes de prever o comportamento do sistema.

Dessa forma, a tomada de decisão passa a ser orientada por dados e não apenas por tentativa e erro.

Na solução desenvolvida pela Bosch, essa abordagem combina técnicas avançadas de experimentos, processamento automatizado de dados e inteligência estatística para identificar configurações ideais de operação.

O papel do Design of Experiments (DoE) na exploração do espaço de calibração

Uma das etapas centrais da metodologia é a utilização do Design of Experiments (DoE).

Essa técnica permite planejar experimentos de forma estruturada, garantindo ampla cobertura das condições de operação com uma quantidade reduzida de ensaios.

Em vez de testar milhares de combinações possíveis, o DoE identifica os pontos mais relevantes para a construção dos modelos.

O resultado é uma investigação muito mais eficiente do espaço de calibração, reduzindo significativamente o esforço experimental necessário.

Após os testes, os dados passam por um processo automatizado de pós-processamento, convertendo avaliações subjetivas em métricas objetivas e quantificáveis.

Esse passo é fundamental para aumentar a confiabilidade das análises e treinar um modelo mais assertivo.

Como a regressão gaussiana contribui para a tomada de decisão?

Depois da coleta e tratamento dos dados, entra em cena a regressão gaussiana.

Essa técnica permite construir modelos preditivos capazes de estimar o comportamento do sistema mesmo em regiões que não foram testadas diretamente.

Fluxo de otimização baseado em valores de calibração e modelagem matemática.
O modelo matemático permite prever resultados e identificar estratégias de calibração mais eficientes.

Com isso, os engenheiros conseguem avaliar diferentes estratégias considerando simultaneamente múltiplos objetivos, como:

Tempo de light-off.

Controle de emissões veiculares.

Níveis de vibração.

O benefício está na capacidade de encontrar soluções equilibradas assertivas, reduzindo a necessidade de ciclos repetitivos de testes físicos.

Resultados obtidos com a aplicação da metodologia

Para validar a abordagem, a metodologia foi aplicada em um motor 1.0 de injeção direta operando com etanol.

Os resultados demonstraram ganhos expressivos em indicadores críticos do desenvolvimento automotivo.

Gráfico mostrando a redução percentual obtida após a otimização.
A abordagem baseada em modelos matemáticos permitiu reduzir emissões e vibrações significativamente.

Foram observados:

  • Mais de 60% de redução nos níveis de vibração do motor.
  • Aproximadamente 30% de redução de emissões totais.
  • Identificação de estratégias robustas de calibração.
  • Maior eficiência na exploração do espaço de soluções.
  • Tudo isso executando apenas 70 testes.
Comparação entre calibração original e calibração otimizada em diferentes regimes de operação.
Os resultados demonstram ganhos consistentes em relação à estratégia de calibração de referência.

Esses resultados evidenciam que a combinação entre modelagem matemática, análise de dados e técnicas avançadas de otimização pode gerar benefícios simultâneos em desempenho ambiental e qualidade de condução.

O futuro do powertrain passa pela engenharia baseada em dados

A evolução das regulamentações ambientais e a crescente complexidade dos sistemas veiculares exigem novas formas de desenvolvimento.

Nesse contexto, a engenharia baseada em dados deixa de ser apenas uma tendência e atua como um diferencial competitivo.

A utilização de modelos matemáticos permite acelerar decisões, reduzir ciclos de desenvolvimento e aumentar a robustez das estratégias implementadas.

Para fabricantes e fornecedores do setor automotivo, isso representa uma oportunidade de responder mais rapidamente às demandas regulatórias e às expectativas do mercado.

Conclusão

A otimização de emissões automotivas tornou-se uma prioridade obrigatória para a indústria automotiva moderna.

Reduzir poluentes sem comprometer desempenho, conforto e eficiência exige abordagens capazes de lidar com um número crescente de variáveis e desafios técnicos.

A solução desenvolvida pela Bosch demonstra como recursos como Design of Experiments (DoE), regressão gaussiana, calibração de motor orientada por dados e modelagem avançada podem acelerar o desenvolvimento de estratégias de controle de emissões veiculares.

Ao combinar redução de emissões, diminuição de vibrações e maior eficiência de engenharia, essa abordagem cria um caminho sólido para atender às demandas atuais e futuras do setor.

Quer entender como a engenharia baseada em dados pode acelerar o desenvolvimento automotivo?

Conheça as soluções de engenharia da Bosch e descubra como tecnologias avançadas de modelagem, análise de dados e otimização podem contribuir para projetos mais eficientes, robustos e alinhados às novas exigências da mobilidade.

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